sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Descrição de personagem: Castiel

Se "As doze salas do inferno" surgiu para ser uma série completamente medieval, este personagem muda um pouco isto, adicionando novos conceitos e mesclando elementos de diferentes épocas a este mundo fictício.
Castiel é introduzido na história como o mestre do circo de aberrações. Inicialmente é um sujeito mesquinho, malicioso e ambicioso. Ele explora suas atrações com o intuito de enriquecer cada vez mais, no entanto, nem por isso deixa de desenvolver certa afeição pelos circenses, deixando também com que portem-se como uma grande família que busca sobrevivência.
Quando finalmente encontra o amor, Castiel sofre uma completa transformação, desde sua personalidade até seu modo de viver. Torna-se um homem preocupado, cuidadoso e benevolente. Com o passar da história, este personagem ganha grande importância, sendo essencial para construção do psicológico de sua esposa Johanna, a protagonista.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

As doze salas do inferno - Libra

Uma breve introdução ao signo de libra:

Diplomáticos, encantadores e sociáveis. Os librianos são idealistas, otimistas e românticos, buscando sempre beleza e harmonia. No entanto, são muito vaidosos, indecisos e frívolos.
Sua frase é: "eu equilibro".

A sala de Libra

Johanna despertou de sua visão com um sopro gélido em sua face. O medo ligeiramente a atingiu, pois já se acostumara a surgir em novas salas zodiacais e assim esperava acontecer, mas quando olhou ao redor nada avistou e parecia que nada iria acontecer. Ela estava sobre um grande círculo metálico, onde era possível avistar seu limite, ao qual era cercado de neblina. Caminhou até a beirada e se percebeu em uma colossal elevação, onde o chão não podia ser avistado, toda a paisagem se perdia em brumas.
Tentou buscar uma saída, mas não encontrou. Restou-lhe apenas sentar-se e esperar algo acontecer. Pareceu esperar por horas quando uma drástica mudança no vento ocorreu e a superfície circular começou a balançar cada vez mais intensamente até que Johanna não pode se segurar e de lá despencou.
A queda tão longa possibilitou que visse onde estava: Uma enorme estátua segurando uma balança, e de um de seus pratos ela despencara. Enquanto caia sentiu um toque macio acompanhado de um doce sussurrar. “Conte-me sua história, bela ninfa”. E quando Johanna pôs-se a falar, som algum saiu de sua boca. Mas afinal, o que poderia dizer se de nada recordava?
Aquela presença não era corpórea, habitava na mente daqueles que por ali passavam. “Consigo sentir o peso de sua alma”: ecoou a criatura em seu interior.

Quando o chão parecia se aproximar finalmente sentiu a presença esvair-se de seu corpo. Pôde enxergar uma silhueta à sua frente e sentir sua energia sugada pela balança dourada enquanto fundia-se com a neblina e em um novo ambiente surgia.



Johanna havia voltado dos mortos, mas seu corpo ainda não se adaptara. Passara tantos anos sendo uma ninfa que se acostumou em ser demasiada bela, mas ao renascer toda beleza e perfeição a deixara. Sua pele permanecia pálida, seus olhos fundos e esbranquiçados, os lábios roxos e o cabelo não mais mantinha-se firme à cabeça.
Castiel cuidava bem da amada, mesmo que com o passar dos anos não a olhasse mais com desejo, afinal, Johanna estava cada vez mais mórbida e sem vida, sequer sabia quanto tempo iria durar.
Haviam permanecido no castelo e se livrado de toda quinquilharia do antigo doutor, e quem na cidade poderia suspeitar do assassinato? Todos sempre diziam que ali vivia um louco, que os experimentos era uma afronta a deus e que um dia acabaria se matando, para o mundo aquele dia havia chegado. Se um servo devia ou não ficar com o local de um homem sem família não interessava a ninguém, pois o histórico do castelo espantava e mantinha todos a distância, ao menos até Castiel tornar-se um verdadeiro senhor dos bailes.
Castiel era tão amoroso e prestativo que Johanna acabou o amando também e terminaram casando-se. Ainda assim, era mantida escondida das demais pessoas devido sua aparência, mas Johanna sabia que isso se devia ao medo e preocupação de Castiel, ela sabia que ele a amava.

Johanna escovava os ralos cabelos loiros que lhe restavam, tentava prendê-los de algum modo. Via refletida no espelho da penteadeira sua incômoda imagem. Estava tão feia e havia perdido tanto, seu sofrimento era imenso, mas ainda assim era grata pela vida, pois havia o amor de Castiel.
Avistou o marido adentrando o quarto e largando as galochas sujas de lama à porta. Ele estampava um sorriso alegre, aparentemente pela caçada bem sucedida. O bom humor encorajou Johanna a revelar seus pensamentos:
- Castiel, eu o amo tanto! Lembro quando o conheci, era um sujeito desprezível e malicioso, mas mudou tanto por mim. Hoje é um homem bom e desde que se tornou este homem nada te dei.
- Ora, querida, não é verdade. – Disse com a voz cansada.
- Deixe-me lhe dar um filho, já faz tanto tempo...
Johanna notou o olhar de desinteresse que pairava sobre seu corpo. O marido não a desejava.
- Todos os nossos filhos morreram dentro de ti e não a culpo, foi este experimento, mas ele a trouxe de volta para mim, então está tudo bem. Vem, vamos dormir.
Johanna escondeu-se nas cobertas enquanto lentamente o marido adormecia. Na fria escuridão da noite chorou. Isto era vida?
Um novo dia surgiu, belo e cálido, mas assim Johanna não conseguiu o perceber. Sua infelicidade tornara-se tão grande à medida que se distanciava do amado. A cada novo baile ela espreitava entre as sombras para admirar e invejar as belas convidadas. Certa noite avistou tão encantadora mulher que se questionou como poderia haver tanta beleza em uma mera humana. Sentiu tanta inveja e angústia naquela noite que se escondeu do olhar do marido por um longo tempo.
Conforme os anos passavam, muitos convidados deixaram de ser estranhos e tornaram-se amigos de Castiel, inclusive a bela invejada. Os bailes suntuosos, que exigiam muito dinheiro, tornaram-se mais escassos e logo foram substituídos por reuniões mais privadas. Apesar da demora, Johanna acabou por ser apresentada.
- Minha amada esposa tem uma rara e terrível enfermidade. – Castiel mentia.
Johanna presenciava as reuniões até quando podia suportar, mas sempre fugia sonolenta para o quarto antes de todos. Uma noite alguém a seguiu e surpresa ela viu que era Emma, a bela. Ela segurou Johanna pelo braço e disse com uma voz serena:
- Eu vi como me olhas, como é possível haver tanta inveja?
Johanna sentiu o sangue pulsar de ódio, sentia-se tão humilhada.
- Saia já deste quarto... Como pode ser tão cruel? – Choramingou.
- Cruel? Eu vim ajudar, entendestes errado. Consigo ver através dos teus olhos e posso dizer-te: está certa, não é possível haver tanta beleza em uma mera humana, pois humana já não o sou. Eu vi o seu passado, seus pecados, suas mentiras, sei que és especial e aqui estou para lhe oferecer um presente. Seja como eu e terás tua beleza de volta e a tão desejada afeição de Castiel.
Johanna mal podia acreditar no que ouvia. Seria realmente possível?
- É tudo o que desejo!
- É claro que haverá um preço, este ao qual pago também. Serás sempre bela e jovem enquanto estiver disposta a tomar estes atributos, e caso não o faça definhará e ao pó voltará.
Johanna abriu os braços e nada precisou dizer para que a misteriosa dama visse que ela havia aceitado e se entregado. Emma esticou a mão e na testa de Johanna tocou, seus olhos escureceram e uma escuridão envolveram-nas.
“Devo partir, mas em teus sonhos aprenderá”. Ecoou na sala, mas quando Johanna conseguiu novamente enxergar estava sozinha. Cambaleou direto para sua cama e adormeceu.
Acordou no meio da noite e nada havia sonhado. Sentou-se na cama, esfregou os olhos e enfim observou que Castiel não estava lá. Ouviu o barulho de gotas de água a pingar e percebeu algo escorrer do teto direto em uma pequena tigela no canto que servia de lavatório. Aproximou-se para olhar melhor, mas o que viu não foi o que esperava. Viu uma face demoníaca refletida na água. O ser então falou:
- Parece que tenho que uma nova alma. – A criatura sorriu – Direi como ser sempre bela através de minha graça. No cair da escuridão, quando adormecer, será capaz de viajar entre os sonhos e, assim, almas inocentes deverá me entregar. Irá encontrar um punhal ao lado da porta, apenas use-o.
Johanna não pôde responder, sentiu algo a puxando para fora dali. Quando viu, estivera dormindo e só agora realmente acordara. Pensou que tudo não passara de fantasia, mas quando olhou para próximo da porta avistou um singular punhal. Sentiu o coração pesar e a alma escurecer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Yuki-onna

Yuki-onna (significa literalmente mulher de neve) é um espírito de gelo do folclore japonês, sendo uma criatura comum de animações e mangás. Segundo a lenda, a Yuki-onna costuma ser vista em áreas remotas durante a noite em tempestades de neve, ao encontrar homens canta para seduzi-los, fazendo com que se percam na nevasca e morram congelados ou simplesmente lança uma rajada fria que os congelam imediatamente.
Em algumas versões ela invade casas, derrubando a porta com rajadas de vento e congela a todos enquanto dormem, porém em outras versões ela possui um quê vampiresco, podendo entrar em moradas apenas ao ser convidada, também tendo o hábito de seduzir homens para drenar energia vital através do sexo ou de um simples beijo.
Algumas poucas histórias não a relatam como maléfica, mas sim como uma mulher que se apaixona e casa e até constitui família. No entanto, termina por desaparecer entre a neblina.
É descrita como uma mulher alta e bela, de longos cabelos negros e pele extremamente pálida. Costuma aparecer nua ou com um quimono branco. Diz-se que por sua habilidade de flutuar pela neve sem deixar pegadas talvez ela não possua pés. Ela seria o fantasma de uma mulher que congelou até a morte durante uma tempestade de neve, ou talvez o próprio espírito da neve.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Contos da Taberna Disponível

Finalmente, após todo esse tempo de espera, Contos da Taberna foi registrado devidamente e está disponível. Porém, mais do que isso, ele vem dotado de ilustrações próprias e com um mapa.
O livro está disponível em PDF e EPUB completamente gratuito. Para acessá-lo basta dar uma olhadinha na página lateral "livros disponíveis".

Além disso, estou testando a plataforma/site de publicação "Watpadd", onde os capítulos são publicados aos poucos. Caso seja aprovada, possuirá em breve o livro completo para leitura também.

Qualquer sugestão, comentário, elogio ou crítica é muito bem vindo. Para isso pode acessar a sessão "me encontre" ou fazer aqui mesmo nos comentários.

Os contos inclusos devem continuar sendo publicados individualmente no blog, porém não incluirão as imagens autorais e o mapa, aos quais serão exclusivos do livro.

Desejo a todos uma boa leitura!


"Contos da Taberna perpassa pela vida de Dante, contando suas aventuras ao tentar sobreviver no mundo complicado de Asgrich.
  O livro serve de introdução para uma nova mitologia inspirada em fantasias medievais, repleta de deuses e as mais variadas criaturas, sendo quase sempre um acaso seus encontros com Dante.
  Contos da Taberna é uma edição com ilustrações próprias, contendo inclusive um mapa para auxílio na imaginação e visualização do cenário deste novo e intrigante mundo."


 



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Kappa

Kappa é um espírito anfíbio do folclore japonês, podendo ser tanto maléfico quanto benéfico. Quando desenvolvido possui o tamanho de uma criança de cerca de 10 anos.
O kappa é descrito com uma pele escamosa esverdeada, o rosto de macaco, costas de tartaruga e mãos e pés com membranas, tornando-o um excelente nadador. Além disso, o espírito possui uma depressão no topo da cabeça em forma de tigela ao qual usa para sempre guardar água quando sai dos lagos, rios ou lagoas para ir a terra caçar suas presas, mantendo, desta forma, seus poderes e força sobrenaturais.
Os kappas maléficos saem de seus habitats em busca de sugar entranhas, comer fígados e beber sangue. Já os kappas benéficos são representados como inteligentes e honrados. A lenda conta que os humanos aprenderam a curar fraturas de ossos com um kappa, que ofereceu o aprendizado em troca do braço amputado.
Kappas quando possuem braços e pernas machucados podem atá-los novamente ao corpo, tornando-os saudáveis em apenas alguns dias.
A melhor maneira de dominar um kappa é cumprimentá-lo diversas vezes curvando a cabeça (cumprimento típico japonês). Isto fará o espírito curvar-se em resposta devido tamanha cortesia, no entanto o líquido do topo de sua cabeça irá escorrer, obrigando-o a voltar para o lar nas águas. Outra estratégia eficaz é oferecer pepinos, pois é um de seus alimentos favoritos. Conta-se que riscar o nome de parentes no pepino e jogar no rio protege os familiares contra os kappas mal intencionados, pois ao comer os pepinos tornam-se obrigados a não prejudicar essas pessoas.